O Sintaema-SP marcou presença no 6º Congresso Nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), realizado de 7 a 9 de agosto, em Salvador (BA). O evento reuniu lideranças sindicais de 20 países e destacou os desafios do cenário global para a classe trabalhadora. Na ocasião, Adilson Araújo foi reeleito presidente da CTB.
O Sintaema-SP levou ao Congresso uma contribuição firme e estratégica: a defesa do saneamento público como elemento central para a soberania nacional.
A tese “Saneamento Básico no Brasil: a disputa pela água e a luta pela soberania” denuncia o avanço da privatização, o interesse de multinacionais sobre nossos recursos hídricos e reafirma o papel essencial das empresas públicas para garantir água e esgoto como direitos, não como mercadorias.
O documento apresenta dados, análises e um plano de lutas concreto para reverter o cenário de privatizações e fortalecer as estatais do setor. Entre as propostas, estão: reestatização das empresas privatizadas, combate às PPPs e subconcessões, retomada do papel do BNDES como financiador do saneamento público, criação de piso salarial nacional e garantia de saneamento rural executado por empresas públicas.
“Parabenizamos a CTB pela realização deste Congresso histórico e pelo espaço democrático que oferece para debates estratégicos à classe trabalhadora. A defesa da água e do saneamento público é uma luta de todos nós, pois está diretamente ligada à soberania nacional e à dignidade do povo brasileiro”, afirmou o presidente da Fenatema, Chicão.
O Sintaema e as demais entidades signatárias reforçam que o Brasil, detentor de mais de 12% da água potável do planeta, não pode permitir que interesses estrangeiros e o lucro privado ditem o acesso a esse bem vital. A luta pelo saneamento público é, acima de tudo, a luta pela vida.
Confira o documento:
Saneamento Básico no Brasil: A Disputa pela Água e a Luta pela Soberania
Em um momento crucial para o Brasil, no qual a soberania nacional é constantemente ameaçada por interesses estrangeiros, a luta pela defesa de nossos recursos hídricos e do saneamento público se torna uma tarefa central. A água, elemento vital para a existência humana, o desenvolvimento do país e a saúde da população, não pode ser tratada como uma mercadoria, mas sim como um direito inalienável de todos.
Sabemos que o Brasil é alvo de interesses escusos externos, visto que nosso país possui mais de 12% da água potável do planeta, com aquíferos como o Guarani e o Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA), que, juntos, poderiam abastecer a humanidade por centenas de anos. Esses recursos estão ameaçados por multinacionais.
A privatização do saneamento, facilitada por legislações como a Lei nº 14.026/2020, representa um ataque direto à soberania nacional e aos direitos sociais previstos na nossa Constituição. Por meio de um discurso de eficiência, empresas privadas e fundos de investimento transnacionais têm se apropriado de um setor estratégico, comprometendo o acesso universal à água e ao esgoto tratados. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que deveria financiar o desenvolvimento público, passou a ser o articulador desses leilões de privatização, reforçando um modelo que privilegia o lucro em detrimento do bem-estar social.
Os resultados dessa política entreguista já são visíveis e desastrosos. As privatizações de companhias como a CEDAE (RJ), SABESP (SP) e CORSAN (RS) são provas concretas de um crime contra o patrimônio público. As promessas de universalização, tarifas acessíveis e melhoria nos serviços ficaram apenas no papel. Na prática, a população enfrenta aumentos abusivos de tarifas, queda na qualidade do serviço, demissões em massa e precarização das relações de trabalho.
Afinal, não se deve esquecer que, as principais empresas controladoras da água no Brasil hoje, na verdade, são grupos transnacionais e fundos de investimento, como Aegea Saneamento, Iguá Saneamento, Águas do Brasil, BRK Ambiental e GS Inima.
Diante desse cenário, nós, que assinamos este documento, defendemos veementemente a necessidade de proteger e fortalecer as empresas públicas de saneamento. Acreditamos que somente elas, com sua missão social e compromisso com o bem-estar da população, podem garantir a universalização do acesso e um serviço de qualidade para todos, inclusive para as áreas rurais e mais isoladas, por isso, a luta por esse controle é uma tarefa da classe trabalhadora e deve ser uma pauta central em todas as categorias.
Plano de Lutas
Para reverter o atual quadro e garantir o saneamento público, de qualidade e acessível a todos, as entidades SINTSAMA-RJ, SINTAEMA-SP, SINTAEMA-SC, SINDAGUA-CE, SINDAGUA-RN, CTB/RJ e CTB/SP apresentam o seguinte plano de lutas:
Concentrar recursos e políticas públicas nas empresas de saneamento estatais para alcançar a universalização.
Garantir que o Saneamento Rural seja executado por empresas estaduais, que possuem a capacidade e o compromisso social necessários para atender às populações mais vulneráveis.
- Combater todas as formas de privatização, incluindo subconcessões e parcerias público-privadas (PPPs).
- Reestatizar imediatamente as empresas privatizadas, com abatimento nas dívidas dos estados com a União.
- Reorientar o BNDES para que volte a ser um fomentador do saneamento público, investindo diretamente no fortalecimento das companhias estatais.
- Instituir uma gestão democrática e com amplo controle social nas empresas de saneamento.
- Defender a criação de uma Norma Regulamentadora (NR) específica e um Piso Salarial Nacional para a categoria do saneamento.
- Lutar pela implementação do Piso Salarial para a categoria do saneamento.
- Estratégias para a Soberania e Saneamento Rural
- Fortalecimento estatal: Aumentar a presença do Estado na Amazônia Azul (o mar territorial brasileiro), investindo em infraestrutura e tecnologia para proteger os recursos naturais.
- Cooperação Internacional: Firmar acordos para proteger os interesses brasileiros e a segurança dos recursos naturais.
- Saneamento Rural: O governo tem planos para melhorar o saneamento em áreas rurais através de investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e novas regulamentações. No entanto, há desafios como a necessidade de investimentos significativos e a complexidade de gestão nessas áreas.
- A meta é alcançar a universalização do saneamento até 2033, mas especialistas alertam para a necessidade de priorizar populações vulneráveis e de superar a falta de infraestrutura e a degradação ambiental.
- A defesa das empresas públicas de saneamento é fundamental para a soberania do Brasil. A água é um direito, não uma mercadoria. A luta pela vida e pela dignidade do povo brasileiro passa, necessariamente, pela garantia de um saneamento público, de qualidade, seja no saneamento urbano ou rural.
Salvador (BA), 08 de agosto de 2025.
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